O artigo explora a questão da emigração nórdica para o Brasil no período da migração em massa global entre 1880-1914, baseada em fontes de imigração brasileiras, algo que até agora não foi feito. Uma análise dos diferentes números disponíveis para a emigração Sueca total em 1885-1891 mostra que os números registados de nomes de meninos nas fontes brasileiras.  Com talvez até 60%, o que pode ser válido também para a emigração nórdica total.

Uma análise demográfica, social e econômica no contexto da estrutura agrária brasileira mostra que a migração nórdica entre 1880 e 1914 foi dominada por jovens famílias suecas que chegaram em duas grandes ondas, 1890-1891 e 1910-1911. Estruturalmente, os imigrantes eram predominantemente agrários, mais especificamente agricultores (agricultores) que migraram para o sul do Brasil para estabelecer fazendas familiares dentro do setor doméstico.

No entanto, a análise também mostra que uma proporção surpreendentemente grande da migração total, incluindo um grande número de famílias, foi para o setor de exportação na zona de café em São Paulo.

A emigração dos países Nórdicos para o Brasil durante a época da global migração em massa tem sido objeto de alguns estudos acadêmicos no passado, principalmente no que diz respeito Suecos.

Estes estudos basearam-se principalmente em fontes documentais nos países de origem dos migrantes, que suscitam alguns problemas. Por exemplo, as características demográficas, sociais e económicas raramente são visíveis nas fontes do País de envio. Além disso, implica problemas para calcular números totais exactos.

As estatísticas oficiais da emigração na Finlândia começaram já em 1905 e baseiam-se em números de passaportes que apenas revelam as intenções de emigração, e não de emigração real. Além disso, no caso da emigração estrangeira, as fontes finlandesas não especificam em que país não europeu o emigrante pretendia ir (emigração nórdica 1970

Na Dinamarca, as estatísticas sistemáticas de emigração começaram já em 1868, mas também aqui, todos os destinos ultramarinos estão incluídos na mesma categoria e o registo junto das autoridades não era obrigatório. Na Suécia, o país de destino dos emigrantes para a América do Sul não é especificado até 1909

Um levantamento da documentação disponível no Brasil, o país receptor, deve ser capaz de lançar alguma luz sobre todos estes aspectos. Até à data, esse estudo não foi realizado. O presente artigo, portanto, tenta fazer uma avaliação do número total de emigrações nórdicas para o Brasil no período de migração em massa entre 1880 e 1914.

Será utilizado um novo método que combina as estatísticas dos passageiros dos portos de emigração na Europa e os dados da Imigração do Brasil, contornando assim o que Frank Thistlethwaite (1960) chamou de “cortina de água salgada”. Além disso, dará um perfil demográfico, social e econômico desses migrantes nórdicos com base em fontes documentais brasileiras. O resultado também estará relacionado ao padrão de outros grupos de imigrantes no Brasil. Não será feita aqui qualquer análise dos factores de pressão, dos condutores ou dos processos de assimilação no novo país.